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Normas ABNT

Publicado em 03 de maio de 2026 · SismoPro Sismografia

Relatório de ensaio sismográfico: como montar o documento a partir do item 4.4 da NBR 9653:2018

Checklist editorial alinhado à seção 4.4 da ABNT/NBR 9653:2018 — identificação, campo, resultados, anexos e conclusões com rastreabilidade.

A ABNT/NBR 9653:2018 trata, no item 4.4, do relatório de ensaio sismográfico e do rol mínimo de informações que devem constar para o documento ser considerado adequado à norma. Este artigo é um guia de montagem para equipes de campo e redação técnica — não substitui o texto oficial da ABNT nem decisões do responsável legal pelo empreendimento.

Onde isso se encaixa no seu fluxo

Se você já domina limites e posicionamento, use em conjunto com o Guia NBR 9653 — limites e posicionamento e com o checklist de campo e relatório auditável: o 4.4 fecha o formato do relatório; os outros textos ajudam na coleta e na argumentação técnica.

Emissor e validade do documento

A norma exige que o relatório seja emitido por profissional habilitado ou por laboratório competente (por exemplo filiado à RBLE ou a redes metrológicas estaduais, quando aplicável ao contrato). Antes de numerar anexos, confira no texto integral da edição vigente os requisitos formais exatos — inclusive modelos dos anexos A e B citados abaixo.

Roteiro por alíneas (4.4 — visão prática)

A lista abaixo segue a lógica do item 4.4 da NBR 9653:2018 (letras a a q). Use como checklist interno ao revisar um relatório antes de assinar ou protocolar.

Identificação e governança do documento

  • a) Título claro, coerente com o tipo de ensaio e com o escopo contratado.
  • b) Identificação única do relatório, com identificação em cada página e indicação explícita do fim do documento (evita misturar versões em PDF).
  • c) Cliente (nome e endereço) conforme contrato ou nota de serviço.
  • d) Data e horário da medição (ou da janela de medição) alinhados ao registro bruto do equipamento.
  • e) Método e/ou procedimento adotado — citar norma, instrução interna validada ou procedimento acordado no escopo.

Equipamento, pessoas e campo

  • f) Descrição inequívoca dos sismógrafos (fabricante, modelo, número de série), rastreabilidade e validade da calibração com referência ao certificado.
  • g) Identificação de quem executou o ensaio e de quem emite o relatório (papéis podem ser distintos).
  • h) Identificação do local da detonação (ou da fonte vibratória prevista no escopo). A norma recomenda registro fotográfico com data e coordenadas.
  • i) Identificação do local de monitoramento com endereço ou referência geográfica e registro fotográfico. Quando couber, prefira coordenadas GPS em UTM (datum SIRGAS 2000) ou coordenadas geográficas — reduz ambiguidade em fiscalização e em perícia.

Resultados, comparação e incerteza

  • j) Resultados com data e horário, descrição dos locais de detonação e de monitoramento, distância entre eles (de preferência por GPS), PPV por eixo, frequências associadas à leitura, PPV resultante quando aplicável ao método contratado e pico de sobrepressão acústica quando o ensaio incluir esse canal.
  • k) Quando pertinente, análise comparativa dos resultados com os limites desta norma ou com outra especificação técnica aplicável ao projeto. A norma recomenda tabelas e/ou gráficos para leitura rápida por terceiros.
  • l) Declaração sobre a incerteza da medição (ou referência ao procedimento que a estima), em linha com boas práticas metrológicas.
  • m) Quando couber, declaração de que os resultados valem apenas para os eventos ensaiados — evita extrapolação indevida para outras frentes ou janelas não cobertas.
  • n) Registro de desvios do método ou de condições adversas (tempo, interferência não prevista, indisponibilidade de canal) que possam afetar a leitura.
  • o) Conclusões objetivas, amarradas aos dados apresentados e aos limites adotados no contrato.

Anexos obrigatórios (integridade)

  • p) Anexar os registros originais do software de análise do sismógrafo em formato considerado inviolável, conforme requisitos do Anexo A da norma.
  • q) Anexar os planos de disparo efetivamente executados (boletins de detonação), conforme modelo do Anexo B da norma.

Erros comuns na revisão do 4.4

  • Corpo do relatório “bonito”, mas anexos frágeis (prints sem hash, arquivos reprocessados sem trilha de versão).
  • Distância fonte–receptor estimada por olho sem coordenada ou sem método declarado.
  • Comparar com a curva errada (outra tipologia de edificação ou outra norma) sem transparência no texto.

Referência oficial

Boas práticas de mercado: trate o relatório do 4.4 como pacote único (corpo + anexos + metadados de arquivo). Isso acelera auditoria interna, resposta a fiscalização e alinhamento com o que auditores costumam pedir.