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Normas ABNT

Publicado em 01 de janeiro de 2026 · SismoPro Sismografia

Guia ABNT/NBR 9653:2018 — limites, PPV e posicionamento de sensores

Critérios da ABNT/NBR 9653:2018 para avaliar vibrações, definir limites e posicionar sensores com rastreabilidade.

Contexto

A norma ABNT/NBR 9653:2018 estabelece critérios para avaliar o efeito de vibrações causadas por obras ou equipamentos sobre edificações existentes. É referência central em projetos com detonações, bate-estacas, compactação e operações similares. O indicador usual é a velocidade de partícula de pico (PPV), em geral reportada por eixo, acompanhada da frequência dominante e, quando aplicável, de espectros (FFT) para interpretação. Na operação, PPV e frequência são acompanhados em serviços de monitoramento sismográfico com alertas, histórico e relatórios para auditoria.

O foco da norma ABNT/NBR 9653:2018 é o comportamento da edificação e o risco de danos estruturais (ou efeitos inaceitáveis na estrutura), não o incômodo subjetivo a pessoas — que em licenciamentos paulistas costuma ser tratado à parte (por exemplo com o guia da CETESB), com métricas e limites diferentes.

ABNT/NBR 9653:2018

Guia para avaliação dos efeitos provocados pelo uso de explosivos nas minerações em áreas urbanas

País

Brasil

Ano

2018

Escopo

Detonações em mineração a céu aberto e subterrânea

Norma brasileira para avaliação de vibração e sobrepressão acústica em atividades de mineração próximas a áreas urbanas.

Limites por Zona

ZonaPPV Máx (mm/s)dBL Máx (dB)Faixa de Freq.
1-5 Hz151341-5 Hz
5-20 Hz281345-20 Hz (15→28 mm/s)
20-40 Hz5013420-40 Hz (28→50 mm/s)
40-100 Hz50134> 40 Hz

Observações

  • Curva única baseada em frequência (não usa zonas residencial/comercial/industrial).
  • 1-5 Hz: 15 mm/s constante.
  • 5-20 Hz: interpolação linear de 15 a 28 mm/s.
  • 20-40 Hz: interpolação linear de 28 a 50 mm/s.
  • 40-100 Hz: 50 mm/s constante.
  • Limite de sobrepressão acústica: 134 dBL (pico linear).
  • PPV medido nas 3 componentes ortogonais (L, T, V).
  • Medições devem ser realizadas no ponto mais próximo da edificação.

Resumo técnico

A norma relaciona o nível de vibração medido no receptor com curvas ou tabelas de limite que dependem do tipo de estrutura (categoria do edificado) e da faixa de frequência associada ao evento. Por isso, não basta um único número de PPV: é necessário saber em qual faixa a frequência dominante se enquadra e se o receptor foi classificado corretamente.

Limites e avaliação

  • Classificar o receptor (por exemplo residencial, comercial, industrial ou estrutura sensível), conforme os critérios da norma e o projeto.
  • Medir PPV por eixo (X, Y, Z) e registrar qual eixo governa em cada evento relevante.
  • Determinar a frequência dominante do evento (ou a faixa indicada pela norma para leitura do limite).
  • Comparar o par (PPV, frequência) com os limites da ABNT/NBR 9653:2018 para aquele tipo de edificação — usando as tabelas ou figuras da edição vigente da ABNT, não trocando de norma no meio do projeto.

Posicionamento de sensores

O posicionamento deve maximizar a representatividade da vibração na edificação de interesse:

  • Instalar em fundações ou elementos rígidos bem acoplados ao solo/estrutura, evitando pontos soltos ou amortecidos de forma atípica.
  • Orientar os eixos do sensor conforme a norma e o fabricante; documentar a orientação em planta ou croqui.
  • Registrar fotos, coordenadas, data/hora de instalação e responsável técnico.
  • Validar ruído de fundo antes do início das atividades que geram vibração, para não confundir eventos com o baseline.
Exemplo de posicionamento de sensores e orientação de eixos

Relatórios e rastreabilidade

Relatórios robustos incluem: identificação do equipamento e certificado de calibração (rastreável), configuração de aquisição, lista de eventos com PPV por eixo, frequência dominante, gráficos de forma de onda e FFT nos trechos relevantes, e comparação explícita com os limites da ABNT/NBR 9653:2018 adotados no projeto.

Recomendações ICMBio / CECAV para cavidades naturais subterrâneas

Em empreendimentos com potencial impacto em cavidades naturais subterrâneas, as recomendações técnicas do ICMBio / CECAV tratam do controle sismográfico com atenção especial à proteção do patrimônio espeleológico. Nesses documentos, há referência à ABNT/NBR 9653:2018 como parâmetro para metodologia de medição sismográfica em cavernas.

Na prática, isso reforça a necessidade de padronização de método, rastreabilidade dos dados e documentação clara da campanha de monitoramento quando o receptor sensível inclui cavidades subterrâneas.

Boas práticas no canteiro

  1. Alinhar cronograma de medição ao cronograma de atividades que geram vibração.
  2. Definir lotes de atenção (alertas internos) abaixo do limite normativo para ganhar tempo de reação.
  3. Manter cadeia de custódia dos arquivos brutos exportados do equipamento.

Onde comprar/encontrar a referência oficial